18 reais a manicure em conta?!

manicure

Me lembro bem como começou o assunto: filé mignon.

Estávamos em uma roda só de mulheres conversando sobre o dia que, apesar de amanhecer nublado, abriu sol e até deu pra pegar piscina. Era o fim do churrasco e alguém levantou a bola de “o almoço de amanhã”. Strogonoff! Tem filé mignon, é só cortar em cubo. Mas, ué, você não compra já cortado em cubos? No sacolão perto de casa eu já peço pra cortarem, é mais prático.

Do filé mignon cortado em cubos do sacolão, o assunto se estendeu para a diferença de preços entre bairros. Tem bairro que as coisas são mais baratas e tem bairro que a mesma coisa é mais cara. “Quanto você paga na manicure lá no seu bairro?” (que era, em teoria, o mais barato da conversa) – dezoito reais só a mão. Ah, a mesma coisa que eu pago no meu, está em conta! Quando eu morava no outro bairro, eu pagava 40 reais mão e pé.

Como vocês sabem, sou muito mocinha e estava super a par do assunto. Comecei a viajar um pouquinho depois que ouvi essa dos 18 reais (sou dessas que viaja longe no meio da conversa)…

Dezoito reais… Com isso, eu almoço dois dias durante a semana de trabalho, compro uma blusa nova preta de alcinha ou uma bijuteria bem bonita na barraquinha. Com dezoito reais compro dois brownies grandes na Browneria e ainda sobra troco pra água, ou posso comprar mais de dez brigadeiros da dona Wilma. Com o preço de uma manicure em conta, eu compro um esmalte, uma base, um extra brilho, acetona, algodão, lixa e palito. Com um pouquinho mais, compro até um creme amolecedor de cutículas (dependendo do bairro – misturando com a conversa inicial – nem preciso desse pouquinho a mais). Só não compro um alicate. Mas aí, com duas idas na manicure em conta, compro o alicate também. E com tudo isso, passo uns dois/três meses fazendo minha própria unha.

Enfim… depois dessa análise minha cabeça voltou para o mesmo plano que a mulherada estava. O assunto tinha evoluído para cabelos. Eu, que cerca de uma hora atrás estava me achando super mocinha vaidosa preocupada com a beleza dos meus cabelos, pelo simples fato de ter feito um “banho de creme” (tascado o creme do potão – creme de tratamento – no cabelo) e deixado ele agir até aquela hora, tive todo meu ego capilar rebaixado em menos de um minuto de conversa. Cada uma delas contava a super experiência pessoal de quando fizeram o botox capilar, do quanto valeu à pena, mas o cabelo ficava oleoso muito mais rápido – até da moça que tinha o cabelo super seco – pois é, acreditem. Ela agora tinha que lavar o cabelo com mais frequência do que antes, porque ele ficava com aspecto de sujo.

Olha, apesar de eu ser meio esquisitinha e fazer ou falar coisas que as pessoas normais pensam: ““. Dificilmente me sinto um E.T azul de uma perna e rabo de cavalo… Mas esse dia estive de parabéns!

Por fim, com cara de “an, ok, legal“, me retirei da rodinha e fui lavar meu cabelo que ainda encontrava-se com o creme do potão.