Ela não sabe o potencial que tem.

Ela não sabe o potencial que tem

…Ela não sabe se pintar, e por isso não se pinta. O que eu não acho de todo ruim, pois ela poderia camuflar sua beleza com tanta tinta e pó. Mas ela não sabe disso também, e por isso às vezes acha que deve cobrir as pequenas imperfeições da sua face, camuflar os indícios de fraquezas dos olhos castanhos e se pintar quase que outra mulher.

Mal sabe ela que não consegue se esconder embaixo de tantos ajustes. O olhar dela continua lá a entregando para o mundo, como se recusasse a fazer parte dessa loucura toda de se pintar.

E aquele olhar não engana, não disfarça. Basta prestar atenção que ele lhe diz tudo sobre ela. Ela não sabe que eu sei. Também não sabe o quanto é belo e o quanto é bela. Ela e seu olhar.

Queria poder acompanhá-la vinte e quatro horas por dia só para poder ver todas as mudanças de humor e expressões dos olhos dela. Será que assim um dia eu aprenderia a ler os pensamentos dela só pelo seu olhar?

Se você visse os olhos dela, também acreditaria que é possível. Eles quase conversam e dizem mais verdades que a própria boca que os acompanham. Não a estou chamando de mentirosa, mas quando falo com ela confio mais em seus olhos. Eu pergunto “oi, tudo bem?!“, e ela sempre me responde “tudo bem” como um script diário. Mas se você a olhar nos olhos, consegue ver que não é todo o dia que eles acompanham suas palavras. E são tão sinceros. Vai saber se é por isso que em alguns dias ela usa óculos escuros por mais tempo.

Mas acho que ela não sabe de tudo isso, me parece que ela não presta tanta atenção em si quanto eu presto nela. Talvez se ela soubesse, fecharia os olhos enquanto conversa com os outros. Ou não. Porque até o fechar de olhos dela é lindo e cheio de significados. Ela não pisca apenas por piscar. E como piscam aqueles olhos… Tão rápidos que facilmente me fisgam e prendem meus olhos também. Quando percebo, já estou encarando aquele olhar que até quando está perdido é belo.

Ela faz muito disso. Acho que se perde dentro de si e esquece de seus olhos que acabam se fixando em um ponto específico e por ali ficam até ela retomar a consciência e voltar a fazer o que estava fazendo, como se nada mais tivesse acontecido. Às vezes acho que ela não sabe que pode controlar os próprio olhos. Tão castanhos, tão vivos…

Quando ela está de cabeça baixa escrevendo e eu a chamo, os olhos dela são os primeiros a subir e me encontrar. E quando os encaro… Meu deus… O que eu ia dizer mesmo?

Ah, ela não sabe de tanta coisa…

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