Fui no show do Blink-182

Quando você é adolescente faz muitos planos e tem muitos sonhos, isso é um fato. Com o passar dos anos e certo amadurecimento pessoal, você percebe que alguns daqueles planos e sonhos são besteiras ou inalcançáveis e acaba deixando pra lá. Pois bem, no auge dos meus prováveis 11 anos me tornei fã de uma banda da Califórnia, o Blink-182, e, claro, tinha o sonho de um dia ir no show deles. #SentaQueLáVemTextão

Quem também é fã da banda sabe que esse sonho se tornou completamente impossível em 2005, quando o grupo entrou em um hiato – em outras palavras menos gentis: a banda acabou – e deixou todo mundo com cara de “por quê, meu deus? meu mundo acabou também!“. Muitos anos de aflição depois, em 2009 o Blink-182 anunciou que estavam de volta! Isso deu esperança a mim e a milhares de outros fãs de que seria possível um dia de nossas vidas vê-los em um show. Mas, foi bom enquanto durou essa ponta de esperança, porque para piorar, em 2015, em meio a um cenário que podemos comparar a uma bela novela mexicana, foi anunciado que o guitarrista Tom Delonge, um dos caras que deu início a banda, estava sendo gentilmente convidado a se retirar. E aí o que nóis, fã, pensa, né? “Pronto, acabou a banda de novo“.

Para a surpresa geral da nação, Mark Hoppus, nosso baixista do coração, convida o Matt Skibba da banda Alcaline Trio para completar o grupo e fazer com que o Blink continue tocando. Essa mudança é pra sempre? Não sei. Eu particularmente queria o Tom de volta, mas se essa for a condição para o Blink continuar existindo, eu topo muito bem topado o Matt. Na verdade, a única coisa que eu sei é que agradeço muito ao Matt por ter aceitado o desafio de ser odiado por muitos fãs, mas por manter a banda na ativa. E foi assim, com essa formação, que em 2016 o Blink-182 lançou o novo disco: California. E com o melhor de tudo: anunciando uma turnê junto.

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Cd California e anúncio da turnê (clique na imagem para conseguir ler)

Euforias à parte, já sabendo com antecedência do lançamento do cd, meu irmão me disse “vá tirar o seu visto, porque vamos no show“.  E eu disse “beleza, pode deixar” imaginando, com toda certeza, que era apenas o desejo dele falando alto demais. Para a minha um pouco surpresa, dois meses antes de começar a liberar a venda dos ingressos, ele me cobra “e aí, como está o andamento do seu visto?“. Obviamente eu sequer tinha procurado no Google como tirar o visto, mas foi nesse dia que eu  – literalmente – corri atrás do meu (e você pode ler mais sobre minha saga do visto e também como tirar o seu no meu post sobre isso). Enfim, visto na mão, as pesquisas começam que cidade seria mais barato; que cidade vale mais a pena; quanto tempo ficaríamos fora; etc etc. Eis que: Vegas! Não era mais barato que Tampa, mas também não estava caro como Los Angeles e San Francisco, isso fora o fato de que seria mais um sonho pro meu irmão. Passagens compradas, hotel reservado, ingressos comprados… agora era a parte mais difícil: esperar.

Las Vegas, Nevada para o show do dia 24/08/2016, aberto somente porque o do dia anterior foi 100% vendido em 2 dias,  no The Joint, casa de show dentro do Hard Rock Cassino.

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Eu consegui dispensa do meu trabalho, enquanto meu irmão teve que tirar férias integral. Não teríamos tantos dias para ficar em Las Vegas, então tentamos planejar tudo com antecedência para aproveitar ao máximo a viagem (falarei mais dela em outro post, aguardem).

No calor de Las Vegas (47ºC no termômetro, sem falar da sensação térmica) finalmente chegou o dia do show. Descansamos o máximo possível, respiramos fundo em uma pausa dramática de quem sairá do ar condicionado do quarto do Hotel para ir até o local do show, e saímos. Ok, fiz mais um drama aqui agora, o local do show ficava atravessando a rua do hotel, mas quem já andou no calor do deserto sabe que é meio sofrido mesmo assim. E foi por isso que optamos em “cortar caminho” subindo as escadinhas do Hard Rock Café e tentar pegar um pouco de sombra ao invés de ir até o fim para a entrada “oficial” do Hard Rock Cassino. Foi com essa decisão que estávamos andando e nada mais que de repente meu irmão fala no tom mais normal, como uma conversa casual “Marina, aquele ali não é o Travis?”. AONDE??? Minha visão era de um cara de bermuda, agasalho (pois é, naquele calor que comentei ali) e óculos de sol, seguido por um cara que aparentava ser um amigo mas que, veja bem, poderia ser um segurança, e de duas crianças que eram nitidamente Alabama e Landon (os filhos do Travis), logo… SIM, ERA O TRAVIS! Aparentemente meu irmão travou, porque apesar de sairmos os dois correndo, só ouvi a minha voz gritando TRAVIS!!! A porta dos bastidores estava já aberta e ele com os dois pés lá dentro, mas ouvindo nosso desespero ele saiu e parou para tirar uma foto conosco ♥.

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Quando parei para tentar ver se a foto tinha saído mesmo, minha câmera resolveu dar um sustinho básico dizendo que tava com frescurinha de gravar os dados e se eu apertasse ok era possível que as últimas fotos não tivessem sido gravadas. Uma fofa essa minha máquina, não?. Mini ataque cardíaco e um “cancel” depois, lá estava a foto, maravilhosamente nítida. Eu saí de lá rindo atoa que nem uma hiena e meu irmão ainda sem conseguir falar muita coisa, chorando. Demos muita sorte. O Travis estava atrasado para a passagem de som e conseguimos o encontrar nesse meio tempo. Isso tudo graças ao calor de Las Vegas que fez a gente respirar fundo antes de sair do quarto e optar por pegar o caminho com menos sol. Que sorte!

Fomos na lojinha do show, meu irmão foi mais contido e comprou só uma camiseta, já eu, comprei camiseta, boné bandeira… queria tudo! Pela porta fechada, conseguimos ouvir um pouquinho da passagem do som e fomos para a fila que já estava imensa. O pensamento por várias horas foi “chegamos tarde, a fila está grande, não ficaremos em um lugar muito bom“. Enfim, entramos. Fomos direto para o lado esquerdo do palco onde fica o Mark, ainda tinha lugar por lá. Acabou que ficamos bem na frente, do tipo: tem o palco, a grade, aí uma linha de pessoas.. ficamos na “segunda linha” de pessoas. Sim, para os meus 1,52m de gente ainda assim não é tão bom, mas eu conseguia ver o palco no vão entre a cabeça das pessoas.

All American Rejects - A day to Remember

All American Rejects – A day to Remember

Começou o show. Primeiro o DJ Spider, depois o All American Rejects e, antes do Blink, o A Day to Remember. Porém, o choque cultural foi até mim e me deu dois tapas na cara ainda no show do All American Rejects. Estava lá eu tentando tirar uma foto do palco, me esticando muito, até que o rapaz que estava na minha frente olhou pra mim e disse “você não quer ficar na minha frente?“. MAS O QUÊ É, MEU AMIGO? Mentira, não consegui falar nada mais do que “adoraria mas, você tem certeza?” e ele, já me dando o lugar disse “claro, eu ainda assim consigo ver o palco“. Não, não me senti mal (como algumas pessoas me perguntaram),  e ele não estava me zoando, era apenas um fato – ele realmente conseguia enxergar – e ele estava sendo gentil. Não preciso nem dizer que gastei todo meu inglês tentando expressar pra ele o quão importante aquilo significava para mim.

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Enfim, vi todo o show da grade. Ainda era um pouco complicado para tirar fotos, porque mesmo assim tinham muitas coisas no caminho da minha visão como caixas de som e cabeças de seguranças, por exemplo. Mas não tinha como ser um show melhor. Estive perto dos meus ídolos desde a adolescência e cada movimento era uma realização a mais. E teve tudo: I Miss You, The Rock Show, What’s My Age Again? e também algumas músicas do cd novo como Los Angeles que gruda na cabeça. Teve Mark falando besteira, teve música que sua mãe detestaria saber a tradução, teve pirotecnia, teve papel picado, teve baixo rosa (e guitarra também), tiveram pessoas doidas querendo nadar no mar de gente que era a platéia…

Acabou o show, a adrenalina ainda estava a mil e, com base na experiência do meu amigo Luiz, que foi em um show do Blink em LA – de última hora – e conseguiu encontrar com o Mark, tirar foto, pegar palheta e conversar, tomamos a mesma decisão que fez ele ter essa oportunidade: fomos para o local onde estavam saindo os caminhões com equipamentos e ficamos esperando por lá. Durante o tempo de espera, juntou-se um grupo de umas 12 pessoas também nesse mesmo lugar. Um tempo depois, um sinal positivo: o Tyson Ritter, vocalista do All American Rejects, apareceu, conversou com o pessoal, deu autógrafos, tirou foto e foi embora. Nesse meio tempo, haviam fofocas rumores de que o Travis já tinha ido embora com a família, então não apareceria por lá. Mais um tempo considerável depois, foi possível ver o Mark andando e entrando metade do corpo dentro de um carro cheio de seguranças. Eis que o segurança que estava lá fora supervisionando a carga dos caminhões deu um toque no Mark dizendo que aquele grupo de pessoas – nós – estava esperando por ele. Foi nesse momento que o Mark saiu do carro e foi até a direção da galera ♥. O segurança muito gentil – só que não – foi bem duro dizendo que deveríamos ficar em fila e que o Mark daria apenas um autógrafo por pessoa (meu bem, isso aí tá mais que excelente). Não deu tempo de conversar com ele, mas tiramos fotos e pegamos autógrafos e, sim, foi mágico.

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Para encerrar o textão e o relato todo de como eu fui parar em Vegas para ver um show do Blink e acabei encontrando o Travis e o Mark, deixo aqui aquela tal de moral da história: não desista nunca dos seus sonhos, mesmo que eles sejam aqueles que você criou na sua adolescência e que talvez pareçam bobos ou distantes demais. Nenhum sonho tem data de validade, não pense que você é velho demais para aquele sonho que vc tem faz tempo ou que “já passou o tempo”. Oportunidades vão e vem na vida, mas você tem que estar atento e realmente correr atrás, porque seus sonhos não vão se realizar pela vontade dos outros, apenas pela sua.

Agradecimentos especiais: ao meu irmão que me convidou e me colocou no meio dessa loucura; à minha mãe que, para pagarmos mais barato, financiou algumas coisas para pagarmos depois à ela; ao meu namorado que ficou aqui em SP ouvindo minhas histórias e me consolou por várias vezes – principalmente na minha choradeira achando que não conseguiria enxergar o palco; e, como não poderia deixar de ser, ao Luiz Fernando de Araújo que nos deu dicas e nos mostrou que era possível.

Aliás, o Luiz hoje tem uma banda cover do Blink, o Blinkers 182, clique aqui e conheça o trabalho deles.