No meu tempo…

Tenho uma irmã mais nova, e ela estuda no mesmo colégio que estudei minha vida inteira. Digo, “no mesmo” colégio. Porque ele não é mais o mesmo, nem de longe. Outro dia entrei lá. Algumas pessoas me deram instruções do que fazer e qual andar deveria ir. Me indicaram até qual corredor e escada eu deveria subir.

Mal sabem eles que eu sei todos os caminhos que me levam ao andar que eu precisava… Eles não estavam lá no meu tempo.

No meu tempo o colégio era maior. Ocupava quase o quarteirão inteiro. Tinha uma entrada pela rua de trás, que era a mais recomendada para as crianças, porque ali ficava o “aquário” (lugar em que as crianças esperavam até o professor as levarem para a sala). Tinha um pátio infantil separado com 3 casinhas “de verdade”, com janela e tudo. A casinha do meio era a maior e mais disputada. Saíamos na frente no recreio para pegar ela antes dos meninos. No meio do pátio tinha uma árvore e, ali do outro lado, um pátio de areia que nem sempre íamos. No pré tinha até dia de piscina. Pois é, no meu tempo tinha uma piscina para as crianças. Bem rasinha. O dia da minha sala era nas quintas… algumas quintas.

Antes tínhamos outros pátios além do pátio preto – esse que hoje é azul. O pátio vermelho tinha uma parede repleta de bebedouros e não ficava ninguém no pátio verde. Do lado dele, ficava uma quadra que tinha até arquibancada. E, na frente dela, estavam as salinhas de ginástica. A aula de educação física era nessas salinhas quando chovia, e normalmente brincávamos de queimada, mas isso era quando não tínhamos que dividir a quadra no meio, porque os meninos insistiam em jogar futebol. Ali perto tinha uma área que era o estacionamento de ônibus. O colégio tinha um estacionamento que as vans paravam lá dentro para o aluno não ter que sair na rua. Mas esse estacionamento foi bem reduzido quando inventaram de fazer uma faculdade naquele mesmo lugar. Faculdade essa que mal durou 2 anos e deixou o predinho novo abandonado.

A cantina era ao ar livre. Tinha só duas paredes e um teto. Ao contrário do que é hoje, não tinha essas coisas de “vida saudável”, de corta aquilo porque criança não deve comer isso. Vendia coxinha, bala, pirulito, refrigerante, chocolate, raspadinha e até salgadinho. Não que pregar a vida saudável para crianças seja ruim, mas as coisas não eram tão caras. Ali perto da cantina ficava a sala de artes.

Colégio Batista Brasileiro 2007

O colégio tinha um prédio separado para o colegial. Que saudades tenho desse prédio. Sonhei com o dia em que chegaria a estudar nele, e uma hora cheguei. Algumas salas eram de degraus, como uma enorme arquibancada assistindo à aula, e tinham mesas enormes pregadas em duplas no chão. O prédio tinha três andares e no último ficava uma quadra coberta que tinha até vestiário com chuveiro. A gente a chamava de ginásio. Quando eu estava no colegial e chovia, era pra lá que a aula de educação física ia, mas como a gente cresce e fica mais chato, as meninas preferiam não fazer nada e eu ia jogar futebol com os meninos. As aulas de educação física no colegial separava os meninos das meninas e normalmente eram nas quadras gêmeas, um espaço enorme a céu aberto com uma quadra ao lado da outra, exatamente iguais.

Sou da época das aulas do ensino fundamental com a Evangélia Lúcia dando história, a Sônia Facco dando matemática e o Osmar cidadania. A Romilce dava aulas de geografia, mas isso só depois que a Selma (é, a que hoje está na capelania) parou.

No colegial, tive o prazer de ter aulas de química com a Conccetta, matemática com o Claudião, história com o Alessandro e geografia com o Sérgião. Os outros professores também eram bons, mas esses daí foram demais. Estive lá no início do projeto de Curta Metragem, uma sensacional iniciativa do Alessandro, espero que o colégio não tenha desistido do projeto também. Fiz teatros com o Sérgio, e era um tema mais mirabolante que o outro, inexplicável o que se passa naquela cabeça. Só queria poder dizer ao Claudião, sempre gênio, que ainda não entendi o Pi, nunca calculei a área de um paralelepípedo, usei báskara ou tive que fazer os cálculos loucos que ele tentou me ensinar.

Também sou do tempo em que foi necessário vender parte do colégio para que ele continuasse por ali. Vi a melhor parte dele ir abaixo por uma construtora. O pátio infantil, o verde, o vermelho, a quadra, as salinhas, a cantina e até o prédio do colegial. Vi muros caírem, fui ao Hopi Hari com tudo pago pela construtora para que ela pudesse demolir mais muros. Ouvi promessas de reformas que, olha só, até hoje não saíram do papel. Fui da época do Nemésio, e conheci o Gésio antes da cirurgia bariátrica.

Não tinham seguranças particulares a cada portão e nem aulas de francês. A biblioteca tinha apenas 3 computadores e os disciplinas (nome amigável dos “bedéis”) eram o Levilson e o Enoque que ainda saíam pra te procurar quando sua mãe chegava antes da hora pra te buscar.

Mas… desculpe, moço, me distraí por um segundo aqui. Qual era mesmo o corredor que eu tinha que seguir?