Não passei.

baixo

Você não me conhece. Ou pelo menos é isso que você está fingindo pra todo mundo. Dizia que 2005 tinha passado e que não se importava mais, mas ao encontrar outra (depois de anos que fui embora), agora resolveu fingir que eu nunca existi.

Estranho ver que de alguém que já não significava mais nada, me tornei alguém que sua atual não consegue sequer ouvir o nome. Isso não parece ser o que acontece com uma amiga qualquer. Engraçado.

Ela não gosta de mim sem nem mesmo me conhecer… Então quer dizer que alguém disse meu nome e acabou dando motivos para ela sequer querer me ver por aí. Mas, claro que não foi você, né? Porque, afinal, eu passei, não sou nada de mais na sua vida… Aí você mudou seus horários, seu comportamento, seus amigos, suas redes sociais e, então, eu deixei de existir pra ela! E pra você?

Sou capaz de apostar que ainda nos compara, que me vê nas pequenas coisas do dia e nas músicas da rádio; que me escuta ao ouvir uma mulher cantar e que até lembra dos shows que passaram. Eu estava lá… com você. Eu sempre estive com você, e eu sei que você sabe. Você se lembra.

Eu? Te acho um idiota.
Ainda quero brigar com você por tudo isso, mesmo sabendo que você não esboçará nenhuma reação… como sempre.

Eu não existo mais pra ela. Mas sei que existo pra você mesmo depois de todas as tentativas de me fazer sumir. E eu sumi. Mas só da sua frente. Eu ainda estou nos gestos, nas músicas, nos shows… Estou em todo natal e todas as tardes atoa. Em toda janela que quebra em vendaval e em todo som de helicóptero no meio da noite.

Quero te xingar sempre que chego em casa e vejo eu carro na garagem. E em toda manhã ainda espero ter o azar de te encontrar no elevador saindo de casa só para poder me apresentar. “Oi, prazer, meu nome é Marina. Você se mudou agora?”

E aí tudo começa… de novo.