Sobre a minha primeira tatuagem

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Desde não me lembro bem quando, quis fazer uma tatuagem. Eis que um belo dia, aos 19 anos, decidi que já era tempo de fazer a primeira. Assim como a maioria das pessoas, eu já tinha alguns locais do corpo definidos para tatuar, mas sempre me faltava a inspiração do desenho que iria fazer.

Primeira tatuagem né, normalmente temos algumas precauções. Fui pensando em todos os desenhos que já haviam passado em minha mente e reavaliando cada um. Por causa da faculdade, publicidade, eu estava com várias fotos de minha autoria pregadas na parede do quarto e me apeguei a uma das minhas favoritas: o colar da minha avó. Explico a história:

Minha avó materna faleceu quando eu tinha 10 anos. Fui a única neta (menina) dela, e durante 9 anos fui a caçula. Vocês podem imaginar o quão mimada fui, né? Era pra casa dela que eu “ia” quando fingia ter fugido de casa (mas sempre estava comportadamente no meu quarto emburrada com alguma coisa). Foi na casa dela que eu descobri que brigadeiro com uva verde sem caroço combinava, ou que ovo frito com gema mole e pão era uma delícia (apelidado carinhosamente de “ovo pra mergulhar o pão”), que me apaixonei por sopa de feijão com macarrão (a dela era a melhor do mundo) e que aprendi que sopa precisa de um pão junto. Era na casa dela que eu roubava todas as almofadas e montava minha fortaleza/castelo na sala, que levava o Kiko pra passear (o cão) e sempre ganhava blusas de lã feitas por ela. Que ficava assistindo enquanto os adultos jogavam buraco e pedíamos pizza depois. Sempre tinha queijo e qualquer outro mimo, aliás, mimos tinham de monte.

Cerca de 5 anos depois do falecimento dela, fomos limpar o closet para que meu avô tivesse mais espaço para guardar as coisas dele. No fundo do armário tinha uma caixinha de jóia. Abrimos. Dentro tinha o colar favorito dela com um papel. E nesse papel estava escrito meu nome.

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O colar ficou comigo, lindo, mas nunca tive coragem de sair usando ele por aí, sempre tive um medo absurdo de o perder ou de alguém o levar. E foi assim que decidi que tatuaria o pingente do colar.

Como seria minha primeira tatuagem, pensei em fazer algo pequeno e em um lugar que eu não ficasse vendo muito, sabe aquela velha história de “medo de enjoar”? Então. Escolhi fazer nas costas, no meio, entre os ombros.

Aí, como toda primeira tatuagem, pesquisei o tatuador por meses e agendei com muitos meses de antecedência, né? Não. Não foi muito bem assim. Aliás, não foi nada assim. Marina Braum, né, sabe como é…

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Meu irmão me disse que o tatuador do Jack Tattoo do West Plaza tinha um traço bem firme e muito bom. Certo dia fui almoçar no shopping, estava com o colar dentro da bolsa e, por curiosidade, pedi para o cara fazer um desenho sem compromisso. Conclusão: amei o desenho. Tinha o triplo do tamanho que planejei, mas a conversa com o tatuador foi a seguinte:
– Gostei, quanto fica fazendo só com azul e preto?
– 150 reais
– Aceita débito?
– Sim
– FAZ!

Ficou linda, é uma das que eu mais gosto e, apesar de hoje saber que tatuagem não enjoa, acredito que foi o melhor lugar para ter tatuado o pingente por uma questão estética da cruz até. Eu amo o tamanho que ela ficou e faria de novo. Dei a sorte de pagar um preço muito bom (fiz em 2010) com um excelente profissional e em um estúdio muito bom (fiz mais duas tatuagens no estúdio do Jack). Infelizmente pela minha falta de estudo e de inteligência da época, não me lembro do nome do tatuador. Meu único arrependimento é ter perdido o contato dele.