Tatuagem nova

2014 foi o ano de mais uma tatuagem. Para o pavor da minha mãe, uma maior e mais visível que todas as outras duas. Um bracelete abaixo do cotovelo direito. Um ramo de sakuras, a flor da cerejeira, conhecida principalmente pelos orientais.

A sakura é uma flor que aparece somente uma vez no ano e vive próximo a uma semana, às vezes um pouco mais, às vezes um pouco menos. Mas nem por isso deixa de ser uma flor linda, aliás, talvez por isso seja linda.

Desenho escolhido, hora de achar o tatuador. Sabendo do excelente trabalho do Rafike com realismo, escolhi ele. Aliás, minha melhor indicação para aqueles que pensam em tatuar retratos, o cara trabalha rostos de uma maneira incrível (conheça o trabalho dele).
Caro? Depende do ponto de vista. Para uma tatuagem que ficará aparente para todos, nem um pouco.

Ansiedade a mil. Cheguei no estúdio e a primeira pergunta foi “já posso ver o desenho?!”. Sabe de nada, inocente! Por ser uma tatuagem que dá a volta no braço existe questão “anatômica”. Ter o desenho no papel pode acabar ficando um tanto torto na hora de passar pelo decalque. Tive que esperar a minha hora mesmo, o desenho seria feito da caneta direto na pele. Medinho? Certeza!

Bolinha, bolinha, bolinha… e da bolinha saem flores. E se a gente fizer um pouco de flor e pétala caindo? “Excelente ideia“. “Olha no espelho, tá bom?” Melhor, só tatuado, manda bala.

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Não olhe para a agulha, não olhe para o desenho, concentre e ignore a dor…. “tá doendo?” (SIM!) um pouco, mas está sossegado.
Isso, minta para você mesma que fica mais fácil para acreditar. Vira o braço, mais um pouco, vira mais, agora pro outro lado, um pouco mais – ficou anatomicamente impossível – vira o corpo todo… Fique torta para a tatuagem ficar reta, congela a posição. Barulinho da máquina, dor da agulha… concentra!

“Terminei o contorno!” (Nossa, mas já?) “Olha no espelho para ver como tá ficando.” Tá ficando ótimo! Bora pintar!
Dói? Dói. Cinza e rosa. Duas horas depois, está pronta! Satisfeitíssima e expectativa superada. Mil reais a menos na mão e a certeza de uma semana inteira de milimétricos cuidados.

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Uma tatuagem no braço exige o plástico por quase toda cicatrização. Só percebi o quanto esbarro o braço por aí depois de tatuá-lo. Fase de cicatrização… que fase! Incomoda, fica feio, e você tenta se forçar a lembrar como era ter o seu braço sem esse incomodo chato e sem ter que precisar tomar cuidados triplicados com ele.

“Passou, como tudo passa, e algo em tudo que passa fica” (daqui).
Considerando quase 15 dias depois de terminada a tatuagem cicatrizou quase que perfeitamente. É engraçado ver como ela cicatrizou diferente em 4 regiões do braço como se ele fosse quadrado e não circular. Somente próximo ao cotovelo foi que ficamos com pequenas falhas nas linhas e a cor da flor ficou mais clara. Agora a luta é em achar horário na minha agenda que bata com os horários do Rafike.

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processo de cicatrização // local com falhas após a cicatrização // local com a tatuagem cicatrizada perfeitamente

Agora essa sou eu. Vinte e três anos, três tatuagens. Uma cruz, um nome, e algumas sakuras… nessa ordem.
Me segurando diariamente para não fazer mais tatuagens em um mesmo ano, em uma mesma semana, e principalmente em um mesmo dia. Agora crio metas e as tatuagens são como “recompensas” caso eu atinja as metas. Sou dessas que cria desafios para mim mesma.

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Um Update!
Em julho/14 retoquei a tatuagem para cobrir a cor e as falhas que ficaram nos traços. Olha só como ficou!

tattoo depois da reforma

 obs* a foto foi tirada em novembro/14, ou seja, já está mais do que cicatrizada e a cor ficou!!

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